Uma ansiosa trabalhando no Edifício Itália

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Estou trabalhando por um mês em um escritório no 33º andar do Edifício Itália. Sim, tri-gé-si-mo-ter-cei-ro.

Eu não tenho medo de altura. Apenas tenho medo de morrer. Não quero. Não tá na hora. Tem a minha mãe, a Beth e agora a Luísa pra eu cuidar. Além disso eu ainda quero fazer algumas coisinhas legais. E quero ficar velhinha.

Depois de ler diversos cartazes de instruções dos bombeiros nos halls dos elevadores e na copa, me dei conta, na prática, do que implica estar naquela altura, num dos maiores edifícios da cidade. E sem que houvesse um fato em especial, o botãozinho de alerta acendeu.

Eu sempre fui uma pessoa preocupada. E tenho um histórico que me mostra que devo ser mesmo: já tivemos, que eu me lembre, 3 incêndios em casa, tenho uma mãe idosa, uma irmã excepcional e eu sou uma cuidadora por natureza.

Como boa virginiana, detalhista, sei que às vezes parece exagero. Mas a verdade é que eu penso nisso mais do que a maioria das pessoas. Principalmente por que volta e meia vejo notícias de desastres que transformam a vida de famílias inteiras, por causa de idiotices, falta de atenção e auto-cuidado.

O ser humano, brasileiro principalmente, tem o costume de achar que deve haver alguém ou algo maior responsável pela sua vida, sua segurança, seu bem-estar.

Eu não, gavião.

Estou sempre de olho onde pode surgir uma confusão, fujo de ambiente inseguros, presto atenção no discurso da aeromoça e etc… Acredito que eu sou a primeira responsável pela minha segurança e dos que estão comigo, sob os meus cuidados.

Mas voltando ao Ed. Itália…

Esta semana duas colegas ficaram uma hora presas no elevador. A ascensorista era nova – e ficou desesperada. Os elevadores são divididos por blocos de andares, para facilitar a logística – e os que eu uso são os que vão do 31º ao 37º andares – dizem que nenhum ascensorista gosta de trabalhar nestes.

A moça em questão tinha começado no emprego há uma semana, ficou poucos dias nos elevadores “baixos” e em seguida foi designada para aquele.

Não sou sensacionalista, elevadores são máquinas, quebram. O elevador não caiu! Mas a situação foi tensa.

Primeiro por que não se sabia em que andar estavam – o mostrador só acende quando está no térreo ou nos andares a que ele é designado. Segundo por que a ascensorista não estava controlada. Terceiro por que o técnico, que fica de plantão no prédio supostas 24hs por dia, estava em sua UMA HORA de almoço. Quarto: havia uma senhorinha apertada (isso mesmo, com vontade de fazer xixi). E convenhamos que além de haver uma vida pra viver e trabalho pra ser feito lá fora, ficar numa caixa metálica por uma hora, não é legal.

Bem, de uma forma ou de outra, agora eu tenho um “Kit Elevador” que basicamente é composto de itens que já andam comigo na bolsa – só não posso esquecer de levar quando eu pegar o elevador: celular (de vez em quando vem um sinal, você pode mandar um sms ou whatsapp), uma pequena garrafinha de água, uma lanterninha e o “Kit Onde é o banheiro, meu Deus??” – esse eu já tenho há tempos, e é composto de lenços de papel, lenços umedecidos, um saquinho plástico vazio e uma calcinha nova.

Acessórios bem vindos: algum material de leitura/entretenimento, balinhas ou algo pra comer (que não dê sede). Não é nada demais, mas na hora H vai ajudar bastante né?

Agora vamos ao banheiro.

No escritório há dois banheiros para meninas: um cheio de cabines, normalzinho. Outro que é inteirão, sem cabine. Uma peça única com pia, espelho, vaso sanitário e… janela!

Sim, uma ampla janela com vista para o belíssimo skyline do 33º andar – de dia ou à noite!

Muitas vezes a vidraça fosca está aberta por motivos óbvios e eu a deixo assim, por que acho bonita aquela vista e os sons que vêm lá de baixo – ou de cima (os helicópteros parece que estão passando na minha orelha, de tão pertinho).

E não me preocupo que a janela (aberta) seja bem atrás do vaso sanitário – não tem nenhum prédio naquela altura, pra algum desocupado estar bisbilhotando e de repente ver meu popô enquanto estou naquele momento íntimo.

Mas o assunto do banheiro não é a janela.

Noutro dia, durante estes devaneios banheirísticos, vi que um azulejo estava trincado. Dois, três, vários. Um quebradinho vertical. Fiquei tentando lembrar: se está trincado verticalmente é acomodação da construção ou problema estrutural? Não lembrei, nem pesquisei. Nem comentei com ninguém.

Naquele momento eu concluí que dificilmente alguém levaria o assunto adiante (eu como neurótica assumida sei que é isso que fazem com observações deste tipo, ignoram).

O rachado tá lá. A dúvida paira.

E eu não vou deixar de ir trabalhar por conta de um rachadinho na parede.

Então o “Kit Não Vou Morrer Soterrada Sem Lutar” está pronto!  Meu celular, lanterninha e mini garrafinha de água. Percebeu o reaproveitamento de itens de um kit pra outro?

Toda vez que eu for fazer xixi, passarei antes na cozinha para encher a garrafinha de água (isso ajuda a evitar questionamentos do tipo “por que essa garota vai sempre carregando uma garrafa no banheiro?”), levando meu celular (super normal) e com a lanterninha no bolso ou enfiada no sutiã.

Agora, enquanto escrevo, pensei em comprar um apito também. Posso deixar pendurado na garrafinha, como um enfeite ;o)

E você, se preocupa de verdade com a sua segurança? Tem uma neurosezinhas como eu? Ou tem outras?

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